Catarose de Petri

Procedente da mesma corrente de pensamento que Jan van Rijckenborgh (1896-1968) com quem, foi co-fundadora do Lectorium Rosicrucianum. A sua obra centrou-se particularmente na elaboração do método iniciático gnóstico para a época atual e no desenvolvimento da Escola da Rosacruz Áurea e do seu ensinamento.

Fotografía de Catharose de Petri

Uma estranha neste mundo

Catharose de Petri nasceu em 1902, em Roterdão e o seu nome social era Henriette Stok-Huyser. Pouco se sabe dos primeiros anos da sua vida, pois ser extremamente discreta e falava pouco de si mesma, mas sabe-se, com segurança, que desde muito jovem estava consciente de ter uma missão espiritual muito importante na sua vida.

Já aos oito anos de idade, Hendrikje (Henny) Huizer ocupava-se intensamente de questões existenciais sobre o ser humano, perguntando-se, por exemplo, acerca do objectivo da vida do homem na Terra e da verdadeira essência dessa vida.

Educada no seio de uma família reformista que se dedicava á construção de navios, a sua sede de conhecimento interior não foi compreendida por aqueles que a rodeavam. Nem a educação que recebeu de um pregador da referida igreja lhe proporcionou as respostas que buscava.

Após a educação escolar, trabalhou como administrativa. Mas também sofreu muito por não poder compartilhar com ninguém o seu mundo interior. Por isso, diante dos seus amigos e colegas, frequentemente se sentiu estranha e incompreendida. Com o passar dos anos, a chamada interior foi-se manifestando com impulsos cada vez mais definidos, ao mesmo tempo que no seu coração ressoava com mais clareza a pergunta: «Qual é a razão fundamental da minha vida?».

Em 1929 contraiu matrimónio com H. J. Stok, que a colocou em contacto com a Nederlanse Rozekruisers Genootschap, secção holandesa da Fraternidade Rosacruz de Max Heindel.

Fotografía de Catharose de Petri

Encontro com os irmãos Leene

No início Catharose de Petri não tinha nenhum interesse em afiliar-se á Fraternidade Rosacruz, embora o seu esposo fosse membro da mesma. Opinava que as organizações desse tipo trariam inevitavelmente erros e enredos, aos quais sentia uma profunda aversão.

Na sua opinião, o afiliar a alguma organização seria um obstáculo para a harmonia interior e a impassibilidade que são necessárias para realizar um caminho espiritual. Não obstante, diante a insistência do seu esposo, aceitou uma entrevista com os irmãos Jan Leene e Zwuer Willem (Wim) Leene. Ambos os irmãos tinham ingressado na Rozekruisers Genootschap em 1924 e adquiriram em seguida uma posição dirigente nela.

Durante a conversa, o humilde e vigoroso comportamento de Jan Leene a comoveu tanto que mudou de opinião e aderiu ao idealista círculo de amigos dos irmãos Leene.

Com os irmãos Leene começou uma intensa busca espiritual, que os conduziu à criação de uma Associação independente. Após a morre de Wim Leene, a 9 de Março de 1938, Catharose de Petri passou a pertencer ao Conselho de Administração da Associação, que deste modo foi formado por Jan Leene, a própria, pelo seu esposo H. J. Stok e A. M. Verhoog.

A Fraternidade dos Cátaros

Jan van Rijckenborgh e Catharose de Petri sentiam-se espiritualmente muito vinculados com a epopeia dos Cátaros.

A partir de 1946, viajaram por várias ocasiões ao Sul de França em busca dos vestígios deixados pelo Catarismo. Em 1956, Jan van Rijckenborgh e Catharose de Petri conheceram Antonin Gadal (1877-1962), que se revelou com o último patriarca dos Cátaros, numa corrente de tradição que se estende ao longo dos séculos.

A associação com o senhor Gadal foi crucial para o desenvolvimento interior de Catharose de Petri e Jan van Rijckenborgh, logo da Escola Espiritual e dos seus alunos, já que este encontro conduziu a uma estreita união com a herança espiritual da Fraternidade dos Cátaros, Ordem a que Antonin Gadal, dedicou toda a sua vida, desvelando a sua vertente mais espiritual e a verdade da sua distorcida e desconhecida história.

Foi com um sentimento muito especial que Catharose de Petri redigiu vários textos nos quais esclareceu o trabalho espiritual dos Cátaros e o seu legado material e imaterial. Catharose de Petri sempre apontou para o antigo método de auto negação que os Cátaros chamavam “endura”, método que também é praticado pelos alunos da Rosacruz, em que a purificação do coração é uma condição indispensável.

Mensageira do Cristianismo gnóstico

Com o decorrer do tempo, Catharose de Petri chegaria a ser a colaboradora mais importante e próxima do senhor Jan van Rijckenborgh. Ambos dedicaram toda a sua vida á construção da Escola Espiritual da Rosacruz Áurea «a partir do nada», como ela dizia.

A fundação e direcção de uma escola espiritual com o objectivo de conduzir um grupo de buscadores ao mundo da alma e do espírito, é uma tarefa que tem de se basear num chamado interior.

Uma vocação tal foi a que experimentou Catharose de Petri aos 28 anos de idade, de parte da Ordem de boa-fé da Santa Rosacruz, como ela mesma contou com posterioridade. Esta vivência espiritual surgiu após muitas considerações filosóficas e religiosas.

Servidora da Gnose e orientadora realista dos buscadores, a sua frase mais característica, assim como também a sua moeda, era: «o serviço ao próximo, em esquecimento de si mesmo, é o caminho mais seguro e alegre para chegar a Deus», o que supõe uma prática de vida diária no seu trabalho ao serviço da Escola Espiritual da Rosacruz Áurea. Este lema não era somente válido para a sua própria vida, mas era um conselho que sempre repetia aos alunos que lhe eram confiados.

Continuadora da Obra

Após o falecimento de Jan van Rijckenborgh, em 1968, Catharose de Petri continuou o trabalho empreendido por ambos. Com a ajuda de uma comissão de alunos dirigiu a nova Escola Internacional da Rosacruz. Nos anos seguintes desenvolveu-se um grande trabalho espiritual em unidade e, desde então, a Escola Espiritual estendeu-se por numerosos países onde a renovação de vida interior é colocada em prática do modo que Catharose de Petri esperava e como amplamente descreve e esclarece nas suas obras. Por isso, quando faleceu em 1990, teve a certeza que o seu trabalho seria continuado.

O Lectorium Rosicrucianum actualmente prossegue o trabalho iniciado por Jan van Rijckenborgh e Catharose de Petri, estando presente nos principais países da Europa, América do Norte e do Sul, Austrália, Nova Zelândia e parte de África.

Obra literária

Entre outras obras, Jan van Rijckenborgh e Catharose de Petri deixaram ao homem do nosso tempo, vários textos herméticos e gnósticos antigos, como o Corpus Hermeticum e os manifestos Rosacruzes clássicos. Ambos os autores, nos seu s ensinamentos filosóficos, não deixavam de consultar-se um ao outro, e o seu trabalho é considerado como o resultado de uma ideal e harmoniosa colaboração. Fruto disso é “A Gnose Chinesa”, na qual ambos realizaram um brilhante comentário adaptado ao nosso tempo do antigo texto hermético chinês “Tao Te King”.

Catharose de Petri juntou, também, ao legado gnóstico da escola espiritual transfigurística, sete publicações individuais. Essas obras também estão totalmente sintonizadas com a Gnose hermética e os ensinamentos da Rosacruz Moderna, e através delas podem-se extrair muitas indicações valiosas para a prática de vida diária no caminho gnóstico.